sexta-feira, 30 de setembro de 2011

A NARRATIVA DO ESPÍRITA
 O corpo que me serve de envoltório para viver e lutar repousa calmamente e ninguém que visse suspeitaria mais que um homem adormecido. Contudo, a verdade é que tenho desligado em parte, os pensamentos materiais que prendem a esse corpo e o fazem funcionar. Deixo repousar e abastecer-se de força vital, enquanto o perispírito me eleva na atmosfera transparente “Pátria do Espírito” que a retina humana não pode perceber. Este espaço, mais próximo da Terra, destina-se a atividade dos espíritos em sintonia com os encarnados, e só com o auxilio de seus amigos invisíveis pode a criatura terrena mergulhar nos arcanos do passado, imemorial e nebuloso da sua vida. É o que eu estou tentando fazer penetrar meus pensamentos na clarividência e vejo-me em outro estágio. Uma voz firme, sonora, diz: Dispa-se da vaidade e da arrogância, e vista a humildade para aceitar o que não quer vê. Não cabe a me julgar o que fazes em sua vida. Mas te acompanho em toda a sua vida na missão de ajudá-lo a ser melhor. Compreender o que é certo é peso na justiça. Aceitar o que é errado é julgar sem mérito. Faças o que melhor lhe convêm na medida do possível sem exagero, sem ferir ou magoar a qualquer pessoa. Não tire da boca o alimento do faminto para saciar a sua fome, faça para merecer a sua parte. As dificuldades encontradas no viver são pesos de resistências na perfeição espiritual. Tens o Dom de esclarecer com palavras as pessoas que buscam o espiritismo na ânsia de resolver seus problemas, mas não faz como um bom espírita. Pós o verdadeiro espírita não usa da sua faculdade de proceder bem para fins de interesses pessoais. Não se pode conceder que o espiritismo levassem as pessoas a resolverem seus problemas materiais. O espiritismo é uma Doutrina e não uma religião que faz milagres. Para isso, é necessário separar o joio do trigo aonde vai ser revelado o verdadeiro alimento. Acordei em sobressalto, não acreditando em que vira em sonho ou pesadelo. Belisquei os meus braços, comprovando a minha existência, não foi um sonho nem pesadelo foi um aviso muito importante. Ainda tenho muito que aprender, nesta e em outras vidas. A voz e as palavras ainda soam nos meus ouvidos confirmando que eu não estava sozinho e que ainda posso corrigir meus erros. A narrativa acima confirma mais uma vez que existem pessoas que dizem serem espíritas e praticam o contrário que a Doutrina Espírita pede. O mérito da pessoa esta no seu proceder, no caráter e no espírito. Nas palavras de um leigo: “Prefiro ouvir um analfabeto falar a sua história do que uma preleção de um Doutor.” É o que faz o comportamento de pessoa enganadora no meio de aplausos e sorrisos. O espiritismo é livre em conceitos e na forma como é empregado a Doutrina. Sempre haverá divergências nas opiniões de pessoas que têm cultura combatível, normal em todas as religiões. O espiritismo não tem fronteira, não é étnico, não exige cultura para ser posto em evidência, e como tal, não há discriminação. Por tanto, devemos acreditar na Doutrina de Allan Kardec como um principio do surgimento de um novo conceito de religião.
 Álvaro B. Marques SSA, 17.09.2011